© 2019  FERRAZ LYNCE

FLY 02_04_17

Cofinanciado por:
PERNAS CANSADAS E PESADAS

Pernas cansadas, pesadas e inchadas são os primeiros e mais comuns sintomas da DVC. 

 

A doença venosa resulta de uma alteração estrutural do sistema venoso dos membros inferiores, em que as veias perdem a função de transportar o sangue venoso de retorno ao coração. Esta situação resulta no aparecimento de varizes.

 

A doença venosa crónica afeta mais de 1/3 dos portugueses e é uma das doenças crónicas mais frequentes na população portuguesa. Um número demasiado elevado, tendo em conta que é possível prevenir e travar o avanço das varizes, caso estas sejam diagnosticadas atempadamente, e caso se inicie desde logo uma terapêutica adequada, no sentido de atrasar o aparecimento da doença.

 

As mulheres são mais afetadas do que os homens, devido à ação das hormonas sexuais femininas, ao uso de anticoncetivos orais (pílula), à existência de menor massa muscular, à gravidez e a fatores anatómicos, tendo as veias menos válvulas que nos homens.

 

O aparecimento de varizes é motivado por dificuldades de drenagem sanguínea relacionadas com o estado das veias e com a insuficiência das válvulas existentes no interior das mesmas, afetando sobretudo os membros inferiores.

O QUE É A DOENÇA VENOSA CRÓNICA

As veias dos membros inferiores têm como função conduzir o sangue de volta ao coração. Dentro das veias existem pequenas válvulas que impedem o retorno venoso para os pés, devido à ação da gravidade. Quando essas válvulas não se fecham adequadamente e se tornam insuficientes, o refluxo é inevitável. Localmente, a quantidade de sangue aumenta, fica estagnado, o que faz com que as veias se dilatem e se deformem tornando-se visíveis e com aspeto sinuoso. Assim, as varizes são veias dilatadas com volume aumentado, ficando tortuosas e alongadas com o decorrer do tempo.

CAUSAS MAIS FREQUENTES

Na origem da doença venosa há sempre um ou mais fatores determinantes, que podem ser de origem genética ou secundária a um fator circunstancial. O fator genético é responsável pela doença venosa primária, de início insidioso e com evolução mais ou menos lenta. Ocasiona uma diminuição da resistência das paredes das veias tornando-as mais frágeis e menos resistentes.

 

Os fatores circunstanciais são vários, entre os quais se destacam, a trombose venosa profunda, os traumatismos, as terapêuticas hormonais femininas, a gravidez e um número considerável de fatores causais como a obesidade, o ortostatismo prolongado, a exposição excessiva ao calor, etc. Assim, a doença venosa deve ser tratada desde os primeiros estádios da sua evolução, e deve ser prevenida eliminando ou evitando, quando possível, os fatores de risco.

 

Mas há outros fatores que desempenham, também, um papel importante no seu aparecimento ou agravamento, tais como: o tabaco, a ingestão exagerada de bebidas alcoólicas, o excesso de peso, a permanência prolongada na posição de pé ou sentada e atividades em que é necessário realizar grandes esforços, tal como sucede em muitas profissões.

PRINCIPAIS SINTOMAS

A sintomatologia da doença venosa traduz-se por sensação de peso, dor, e frequentemente edema da perna e do pé, geralmente de predomínio vespertino, ao fim do dia. Nos estádios iniciais da doença ou seja, nos períodos pré-varicosos, as veias dilatadas, as varizes, não são evidentes, mas à medida que a doença progride o seu aparecimento é notório. As queixas mais frequentes são a sensação de cansaço, peso e dor nas pernas, prurido, edema (inchaço) dos pés e tornozelos, dormência e cãibras, em particular durante a noite.

 

Estas queixas agravam-se após períodos prolongados na posição de pé e melhoram durante a noite. Vão-se agravando com o tempo e com a idade, a menos que se tomem medidas de prevenção ou com um tratamento adequado. Se não tratadas podem dar origem a úlceras da perna de difícil tratamento. Em casos graves podem contribuir para a incapacidade para o trabalho ou para desenvolver tarefas domésticas, ou ainda para as atividades diárias.

FATORES DE RISCO

O principal fator de risco é a idade. As varizes vão agravando ao ritmo do envelhecimento, o que não significa que uma pessoa jovem não as possa ter também. O sexo feminino é o mais afetado por este problema e a proporção é de sete mulheres para apenas um homem. As mulheres em fases de alterações hormonais pronunciadas devem ser mais vigiadas, como é o caso das grávidas e das que se encontram na menopausa. Desde a puberdade à menopausa, as mulheres passam por várias etapas marcadas por autênticas revoluções hormonais. É precisamente nessas fases que ficam mais suscetíveis ao desenvolvimento de varizes.

 

A terapêutica anticoncecional hormonal é mais um fator relevante. Não só a pílula, como todos os outros métodos hormonais (adesivo transdérmico, anel vaginal, implante) estão contraindicados em mulheres cuja tendência hereditária é por si só bastante pesada ou que tenham sofrido vários episódios de trombose venosa profunda.

 

A gravidez é o período de maior risco. Se não aparecerem na primeira gestação, as varizes poderão aparecer na segunda, sempre com tendência para agravamento nas gravidezes seguintes.

 

A exposição ao calor nas suas diversas formas é também um fator de risco apontado pelos especialistas. Especialmente nas mulheres que fazem depilação com cera quente, ou que gostam de apanhar banhos de sol durante longas horas.

 

Quanto ao consumo de álcool ou de tabaco, parece não haver uma influência no desenvolvimento da doença venosa, a não ser em estádios mais avançados da doença, em que já se verificam grandes alterações cutâneas na perna e em que há falta de oxigenação. Se for fumador, o doente compromete ainda mais esta falta de oxigenação. O sangue que chega à perna tem menos oxigénio do que o de um não fumador.

COMO PREVENIR AS VARIZES

Para prevenir a doença venosa, é fundamental começar por eliminar os fatores de risco, ou pelo menos minimizá-los. A primeira etapa para a prevenção consiste em detetar a hereditariedade, isto é, saber se na família há tendência para o desenvolvimento deste problema. Se houver, os cuidados devem ser reforçados. A segunda etapa será fazer um exame de diagnóstico para saber se tem ou não doença venosa, ou se já há presença de sintomas. Se houver dor, cansaço, peso, inchaço, então é porque já tem a doença. Neste caso deverá procurar um médico, de preferência especialista, para fazer um determinado número de exames e que aconselhe quais as medidas profiláticas. Entre estas medidas pode estar a prática de exercício físico como marcha, bicicleta, natação ou hidroginástica.

CONSELHOS ÚTEIS

Se tem doença venosa dos membros inferiores deve ter atenção aos seguintes conselhos:

 

- Use meias elásticas principalmente durante a gravidez, ou durante atividades em que permaneça muitas horas de pé. São o principal meio de prevenção para o aparecimento de varizes. Os seus resultados são melhores se as calçar logo de manhã, mesmo antes de se levantar da cama, quando as pernas estiverem menos inchadas.

 

- Mantenha um peso corporal adequado evitando o excesso de peso. Faça uma alimentação equilibrada, rica em fibras e fruta. Substitua as carnes vermelhas e as gorduras por peixe e carne de aves. Evite os alimentos fritos e algumas especiarias (pimenta). Use de preferência o azeite. Beba cerca de um litro e meio de água por dia e evite bebidas alcoólicas. O tabaco prejudica a fluidez do sangue, agravando o problema a quem sofre de varizes.

 

- Pratique regularmente exercício físico moderado, evitando peso excessivo nas pernas. Ande a pé, de bicicleta, corrida, dança, caminhe na praia junto à água, tome banho de mar, faça natação. Se costuma levar o carro para o emprego estacione mais longe, ou se utiliza outros meios de transporte, autocarro ou metro, desça uma estação antes e aproveite para andar algumas dezenas de metros a pé. Evite transportar pesos em excesso, ou realizar atividades físicas do tipo musculação, ou de grande impacto, porque provocam uma grande tensão nas veias e, por conseguinte, a sua dilatação, ou a formação de novas varizes.

 

- Use roupas e sapatos confortáveis. Quando apertados dificultam a circulação e o retorno do sangue. Os saltos altos são prejudiciais.

 

- Evite a exposição prolongada dos membros inferiores a elevadas temperaturas tipo sauna, sessões de bronzeamento, banhos quentes, radiadores, exposição solar, braseiras, lareiras, depilação com cera muito quente, porque provocam dilatação das veias, o aparecimento de novos vasos, edema e dificultam o retorno venoso.

 

- Evite estar muito tempo sentado. Se tiver que o fazer use meias elásticas, mobilize as pernas e mexa os tornozelos e os dedos dos pés com frequência.

 

- Evite cruzar as pernas quando se senta. Ao fazê-lo está a aumentar a pressão nas pernas, dificultando ainda mais a circulação do sangue.

 

- Durante o repouso, mantenha as pernas ligeiramente levantadas, ou pelo menos esticadas em cima de um banco, após um dia de atividades mais intensas ou após o exercício físico, de forma a favorecer o retorno venoso e a melhorar a circulação do sangue. Se tiver cãibras durante a noite durma com o colchão um pouco elevado na zona dos pés (1,4).

CURIOSIDADE: PODEMOS CONFIAR NAS PLANTAS MEDICINAIS?

Será que a ingestão de plantas medicinais pode travar o processo de envelhecimento e retardar a emergência de doença venosa quando existem casos na família? A resposta é afirmativa.

 

Segundo João Beles, «as plantas medicinais são o tratamento “anti-aging” mais usado em todo o mundo. Isto porque os vários estudos clínicos e epidemiológicos realizados nos últimos anos têm provado que o seu uso pode retardar em cerca de 10 a 20 anos o aparecimento de uma doença que a nível familiar costuma aparecer mais cedo».

 

O especialista afirma, ainda, que muitas pessoas com tendência genética para terem uma certa doença, ingerindo plantas medicinais, não chegam a desenvolver o problema (2).

 

O emprego das plantas no tratamento das doenças começou de maneira empírica, muitas vezes atendendo à forma das folhas, dos frutos, etc. por configurarem partes do corpo humano doentes, mas a experimentação foi selecionando as plantas de maior interesse.

A nível científico tem-se vindo a assistir a um grande interesse pelo estudo das plantas medicinais, não só no que se refere à sua constituição como às suas ações farmacológicas, que se tem apoiado na investigação na área da saúde e divulgação dos conteúdos em revistas e ao público em geral.

Assim, hoje a fitoterapia e o uso das plantas medicinais já não se baseia no uso tradicional, passando a estar, cada vez mais, apoiada em aspetos de qualidade, da eficácia e da segurança (3).

 

Numa época em que existem preocupações crescentes do público em geral sobre as questões do bem-estar e da saúde, existe uma preferência e uma procura cada vez maior pelos ingredientes naturais e vegetais, em detrimento dos produtos químicos, sintéticos e com efeitos tóxicos para o corpo humano. As plantas medicinais são, também por isso, uma escolha cada vez mais segura e acertada.

Fontes

(1) Revista Prevenir: http://lifestyle.sapo.pt/saude/saude-e-medicina/artigos/pernas-cansadas?artigo-completo=sim

(2) Texto Daniela Gonçalves.

Revisão científica: João Beles (professor de Naturopatia do Instituto de Medicina Tradicional) e Dr. Serra Brandão (cirurgião vascular e diretor do Instituto de Recuperação Vascular em Lisboa).

(3) Cunha A P, Silva A, Roque O. Plantas e produtos vegetais em fitoterapia (2ª Edição) Fundação Calouste Gulbenkian, 2006.

(4) Atlas da saúde: www.atlasdasaude.pt